quinta-feira, 11 de abril de 2013

A estreia


Depois de reprimir por alguns anos e diversos motivos a vontade de escrever, resolvi criar este blog. Mas ele nasce da vontade de dividir e, principalmente, trocar ideias sobre aquilo que mais amo fazer nesta vida: VIAJAR! E sim, sei que este amor está longe de ser uma preferência particular.


E no post de estreia deixo aqui um trecho inspirador do escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, em “A trilogia suja de Havana”. Ele nos motiva para novo a partir da saudade. Saudade aquela que persegue qualquer viajante inveterado. Saudade de uma cidade, de um cheiro, daquela comida, dos pores-do-sol, das pessoas... que conhecemos viajando.


“Eu era um sujeito então perseguido pela nostalgia. Sempre tinha sido, e não sabia como me livrar da saudade para viver tranquilamente.

Ainda não aprendi. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou.
Isso tudo vai estar sempre com a gente. Sempre vamos desejar recuperar o lado bom da vida e esquecer e desnutrir a memória do lado mau. Apagar as perversidades que cometemos, desfazer as lembranças das pessoas que nos magoaram, eliminar as tristezas e as épocas de infelicidade.

É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez, para a nossa sorte, a saudade possa se transformar, de uma coisa depressiva e triste, numa pequena faísca que nos impulsione para o novo, para nos entregar a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas será diferente. E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar a vida na solidão, encontrar alguém, entregar-nos um pouco, evitar a rotina, desfrutar da nossa parte da festa.”